quinta-feira, 19 de julho de 2012

Os Direitos Humanos: Maria do Rosário


“Gente, o cara aqui tá dizendo que está ameaçado de morte!? O que eu posso fazer, gente? Agora se ele morrer eu vou me sentir culpada o resto da vida”, lamentava a jovem senhora ao ouvir o relato de um matuto que se esforça para transformar terras devolutas na região do Araguaia em área de proteção federal. Por acaso, a agoniada senhora é Maria do Rosário Nunes, Ministra-Chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. 

A ministra viera à Cuiabá para o encontro com as lideranças sociais e, também para receber das mãos do governador uma medalha de honra ao mérito. Acabou se emocionando com a homenagem, com os rapapés e salamaleques, e chegou escoltada por dezenas de batedores ao encontro para “ouvir as demandas da sociedade civil”. Avisou que teria apenas uma hora para ouvi-los porque havia outro compromisso oficial da “Caravana dos Direitos Humanos”.

As “demandas da sociedade civil” eram muitas. Infelizmente a ministra desconhecia a base dos problemas de Mato Grosso, a posse da terra. O assunto GLBT lhe era familiar, violência contra mulher também. Mas violência no campo, em Mato Grosso, não conhecia não. Desconhecia o assunto Maraiwatsede, ou conflito entre posseiros e índios xavantes de Barra do Garças, ou os “Retireiros do Araguaia” da região de Luciara, da qual faz parte o “cara ameaçado de morte”.

Curiosamente, veio afiada no assunto “Tony Bernardo”, na qual o universitário africano, que abandonara os estudos, se viciara em drogas, e acabara morto a pontapés, acabou tendo seus algozes livres pela justiça, motivo pela qual militantes sociais cuiabanos levaram o caso à tribunais internacionais, e isso afeta o governo de Mato Grosso. 

O matuto ameaçado de morte percorreu 1,2mil km para levar o seu problema a uma autoridade federal e saiu constrangido por ter ferido as suscetibilidades da ministra. “Queria aporrinhar a mulher não, queria que ela falasse pro governador, seu amigo, dono de terras, homem muito rico, que olhasse por nós no Araguaia”. Menos compungido e mais irritado ficou um dos líderes do MST ao relatar o conflito na região de Sorriso devido ao que considera inépcia do INCRA.

É claro que a ministra desconhecia os conflitos do MST em MT, e o governador tão pouco lhe diria que há poucos dias sua polícia fez bobagem ao desapropriar moradores urbanos, derrubando barracos e os golpeando com balas de borracha. Mas o que o líder do MST queria além do apoio moral era o intermédio dela com outras autoridades, inclusive com o próprio governador de Mato Grosso. O que o MST não teve foi apoio da ministra Maria do Rosário.

Ao invés de solidariedade ou comprometimento a ministra provocou o MST a apresentar outro modelo econômico que não o capitalismo à brasileira. Praticamente a ministra mandou o MST pegar em armas e colocar de pé o projeto socialista made in Cuba. Irritado, o líder do movimento social, por acaso, monitorado pela ABIN e outros grupos de Inteligência, disse que não brigava por modelo econômico simplesmente porque o MST apoiou Lula e apoia Dilma. 

Findo o tempo da ministra, que se dispôs a ouvir as “demandas da sociedade civil”, saiu para ir até a Praça Alencastro, onde se reencontraria com o staff do governador, porque, como se sabe “a praça é do povo, como o céu é do condor”.

2 comentários:

Piqui disse...

Mais perdida que cego em tiroteio, essa nossa ministra.

paurodado disse...

Lembrou muito os nossos velhos políticos, que não se comprometem, que falam muito, que culpam pessoas ou a própria História, enfim, lembra muito o velho político malandro, apesar de ser mulher, do sotaque, e, principalmente, ser do PT.

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